Licenciamento · Actualidade

Novos Furos de Água no Algarve em 2026: O Que Mudou

Desde 13 de maio de 2026 a ARH Algarve voltou a licenciar novos furos de água em quase toda a região. Ficam de fora a Campina de Faro – Vale de Lobo e a faixa costeira crítica. Aqui está a cronologia, as condições e o que deve fazer antes de perfurar.

Publicado a 9 de setembro de 2026 · Fontes no fim da página

A resposta curta

Com a seca de 2023–2024, a Agência Portuguesa do Ambiente suspendeu a emissão de novos títulos para captação de água subterrânea no Algarve. Com os aquíferos recuperados no ano hidrológico de 2025/2026, o Governo anunciou a 2 de maio de 2026 o levantamento das restrições e a ARH Algarve publicou, a 13 de maio, o Edital n.º 00069-ARHALG.DRHI: novos furos voltam a poder ser licenciados em todas as massas de água subterrânea das Ribeiras do Algarve, excepto na Campina de Faro – Subsistema de Vale de Lobo e na faixa costeira classificada como área crítica para extração. Todas as captações passam a ter de reportar mensalmente os volumes captados na plataforma SILiAmb.

Cronologia

2023–2024 · Seca severa no Algarve. Barragens e aquíferos em mínimos históricos. Em situação de contingência, a APA deixa de emitir novos títulos de captação de água subterrânea nas massas de água da região, para proteger as reservas e travar a intrusão salina no litoral.
Fevereiro de 2026 · Reservas recuperadas. O presidente da APA declara que o sul do país tem reservas de água para dois a três anos, com as barragens cheias.
2 de maio de 2026 · Conselho de Ministros em Beja. O primeiro-ministro anuncia o levantamento das restrições ao licenciamento de furos nos sistemas aquíferos de Moura-Ficalho (Alentejo), Querença-Silves e Almádena-Odiáxere (Algarve).
13 de maio de 2026 · Edital n.º 00069-ARHALG.DRHI. A ARH Algarve formaliza o levantamento para todas as massas de água da região hidrográfica das Ribeiras do Algarve (RH8), com duas excepções, e recorda a obrigação de reporte mensal de volumes no SILiAmb. A decisão baseou-se em 313 pontos de monitorização em 54 massas de água subterrânea, a maioria com níveis próximos ou acima da média histórica.

Onde se pode e onde não se pode licenciar um furo novo

ZonaSituação desde 13 de maio de 2026
Querença-Silves, Almádena-Odiáxere e as restantes massas de água das Ribeiras do Algarve (serra, barrocal, costa vicentina, sotavento interior)Licenciamento reaberto. Os pedidos voltam a ser apreciados, com as condições abaixo.
Campina de Faro – Subsistema de Vale de Lobo (Faro e Loulé)Continua restrito. Não são licenciados novos furos.
Faixa costeira classificada como área crítica para extração de água subterrâneaContinua restrita, para impedir a intrusão de água salgada nos aquíferos.
Moura-Ficalho (Alentejo, região hidrográfica do Guadiana)Licenciamento reaberto na mesma decisão.
A delimitação exacta da faixa costeira crítica e do subsistema de Vale de Lobo é a que consta do edital e da cartografia da ARH Algarve. Se o seu terreno está perto do litoral entre Faro e Loulé, confirme antes de qualquer despesa.

Condições e obrigações dos novos títulos

De acordo com a imprensa regional que noticiou a decisão, os novos títulos de utilização são concedidos com condições:

  • Destinam-se sobretudo a usos agrícolas e industriais, com demonstração de que não existe alternativa de abastecimento.
  • Monitorização automática dos volumes captados, com reporte, e sensores de nível com transmissão remota.
  • Os volumes autorizados podem ser revistos em função dos níveis do aquífero, e as captações suspensas em situação crítica.
  • Reporte mensal dos volumes captados na plataforma SILiAmb — obrigação recordada no edital para todas as captações.
A APA sublinhou que a recuperação dos aquíferos "não é homogénea nem estrutural" e que a análise dos pedidos continua a ser rigorosa. Numa nova seca, as restrições podem ser repostas.

O que isto significa para quem quer um furo

Se o terreno está fora das duas zonas restritas, o processo voltou ao normal: captações particulares com meios de extração até 5 cv estão sujeitas a comunicação prévia à ARH Algarve; acima de 5 cv, a licença, com Taxa de Recursos Hídricos anual. O furo tem de ser executado por empresa licenciada para pesquisa e captação de águas subterrâneas, que entrega o relatório final. Guia completo de licenciamento →

Se o terreno está na Campina de Faro – Vale de Lobo ou na faixa costeira crítica, não vale a pena orçamentar uma perfuração: o título não será emitido. As alternativas passam por ligação à rede, reutilização de água ou reforço de captações já tituladas.

Em qualquer caso, a ordem certa é: confirmar a situação do terreno junto da ARH Algarve, tratar do título, e só depois marcar a máquina. Um furo perfurado sem título é contra-ordenação ambiental e pode ter de ser selado. É por isso que a verificação da zona é o primeiro passo de qualquer orçamento nosso.

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Perguntas frequentes

Posso fazer um furo de água no Algarve em 2026?

Na maior parte do Algarve, sim. Desde 13 de maio de 2026 (Edital n.º 00069-ARHALG.DRHI) a ARH Algarve voltou a apreciar pedidos de novos títulos para captação de água subterrânea em todas as massas de água da região hidrográfica das Ribeiras do Algarve, com duas excepções: a Campina de Faro – Subsistema de Vale de Lobo e a faixa costeira classificada como área crítica para extração de água subterrânea. O furo continua a precisar de título (comunicação prévia ou licença) antes de ser perfurado.

Que zonas do Algarve continuam com licenciamento de furos restrito?

Duas: a Campina de Faro – Subsistema de Vale de Lobo (concelhos de Faro e Loulé) e a faixa costeira designada como área crítica para extração de água subterrânea, onde o objectivo é impedir a intrusão de água salgada nos aquíferos. Nestas zonas não são licenciados novos furos.

Porque é que os furos estavam proibidos no Algarve?

Por causa da seca de 2023–2024, que levou os aquíferos do Algarve a níveis muito baixos. Em situação de contingência, a APA suspendeu a emissão de novos títulos de captação de água subterrânea para proteger as reservas. Com o ano hidrológico de 2025/2026 e a recuperação dos níveis, a restrição foi levantada de forma gradual.

Que condições têm os novos furos licenciados em 2026?

Segundo a imprensa regional que noticiou a decisão, os novos títulos destinam-se sobretudo a usos agrícolas e industriais, exigem a demonstração de que não há alternativa de abastecimento, monitorização automática dos volumes captados e sensores de nível com transmissão remota; os volumes autorizados podem ser revistos e as captações suspensas em situação crítica. Para todas as captações passou a haver a obrigação de reportar mensalmente os volumes captados na plataforma SILiAmb.

A restrição pode voltar?

Sim. A APA sublinhou que a recuperação dos aquíferos não é homogénea nem estrutural e que a análise dos pedidos continua a ser rigorosa. Numa nova situação de seca, a suspensão de novos títulos e a redução dos volumes autorizados podem ser repostas.

Fontes

  1. CAP — Confederação dos Agricultores de Portugal, "APA levanta restrições ao licenciamento de águas subterrâneas no Algarve", 13 de maio de 2026 (Edital n.º 00069-ARHALG.DRHI; zonas excluídas; reporte mensal no SILiAmb). cap.pt
  2. Postal do Algarve, "Governo autoriza novos furos de água em aquíferos do Algarve", 2 de maio de 2026 (Conselho de Ministros em Beja; Moura-Ficalho, Querença-Silves, Almádena-Odiáxere). postal.pt
  3. Postal do Algarve, "Novos furos de água voltam a ser permitidos em grande parte do Algarve", maio de 2026 (condições dos novos títulos; 313 pontos de monitorização em 54 massas de água). postal.pt
  4. Jornal do Algarve, "APA levanta parcialmente restrições ao licenciamento de novos furos de água", maio de 2026. jornaldoalgarve.pt
  5. Sul Informação, "Com aquíferos em recuperação, APA volta a permitir licenciamento de furos de água no Algarve", 11 de maio de 2026. sulinformacao.pt

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