Furos Artesianos no Algarve
Um furo artesiano capta água de um aquífero confinado, onde a pressão natural faz a água subir no furo — por vezes até à superfície, sem bomba. Custa o mesmo a perfurar que um furo convencional, gasta menos energia a explorar, e só é possível onde a geologia o permite.
Actualizado em 9 de setembro de 2026 · Fontes no fim da página
O que é um furo artesiano?
Um furo artesiano é um furo que capta água de um aquífero confinado: uma camada de rocha ou sedimento saturada de água, comprimida entre camadas impermeáveis (argilas, margas). Essa pressão faz a água subir no furo acima do nível em que foi encontrada. Quando sobe até à superfície sem bomba, fala-se de furo artesiano repuxante (ou jorrante); quando sobe mas fica abaixo do solo, é preciso uma bomba, embora mais pequena.
O nome vem de Artois, no norte de França, onde furos deste tipo foram documentados no século XII. Em Portugal, o termo "furo artesiano" é usado no dia-a-dia — e por muitas empresas — como sinónimo de qualquer furo de captação vertical. Não é um erro grave, mas confunde: o que interessa para o seu terreno não é o nome, é se existe ou não um aquífero confinado por baixo dele.
Como funciona um aquífero confinado
Num aquífero livre, a água fica ao nível em que a encontramos: o nível freático. Num aquífero confinado, a água entrou na camada permeável numa zona mais alta (a área de recarga, muitas vezes a quilómetros de distância) e ficou presa por baixo de uma camada impermeável. Está sob pressão. Quando o furo atravessa a camada impermeável, a água sobe até ao nível piezométrico — a altura a que a pressão a consegue empurrar.
Se o nível piezométrico fica acima da superfície do terreno, a água jorra: furo repuxante. Se fica abaixo, a água sobe parte do caminho e a bomba faz o resto. Em ambos os casos a bomba trabalha menos do que num furo convencional com o nível de água à mesma profundidade — é a vantagem económica real do furo artesiano.
Furo artesiano, furo convencional, poço e mina
| Tipo | Como capta | Diâmetro e profundidade | Caudal e fiabilidade | Custo relativo |
|---|---|---|---|---|
| Furo artesiano | Aquífero confinado; a água sobe por pressão, por vezes até à superfície | 110–250 mm · 40–150+ m | Estável; menor consumo de bombagem | Igual a um furo convencional a perfurar; mais barato a explorar |
| Furo convencional | Aquífero livre ou rocha fracturada; bomba submersível eleva a água | 110–250 mm · 40–200 m | Bom, se bem dimensionado por ensaio de caudal | Referência: 35–80 €/m no Algarve |
| Poço | Escavação larga que capta água superficial | 1–3 m · 5–20 m | Instável; sensível à seca e à contaminação | Barato de fazer, caro em água que falha no verão |
| Mina de água | Galeria quase horizontal aberta na encosta até intersectar o aquífero | Galeria de 1–2 m · dezenas de metros | Caudal por gravidade, variável com o ano hidrológico | Tradicional em Monchique e no norte; hoje raramente se abrem novas |
A solução mais comum no Algarve é o furo convencional com bomba submersível. O furo artesiano é a mesma perfuração com um resultado geológico mais favorável — não se "encomenda", descobre-se.
Onde há condições artesianas no Algarve?
Confinamento exige uma camada permeável coberta por uma impermeável. No Algarve isso acontece em partes do litoral e do barrocal, onde argilas e margas cobrem calcários e arenitos aquíferos — é aí que aparecem furos com a água a subir bem acima do nível em que foi encontrada, e ocasionalmente repuxantes.
Na serra de Monchique (sienito e xistos) e nos xistos da costa vicentina, a água circula em fracturas. São aquíferos produtivos e duradouros, mas em regra não confinados: o furo é convencional e a bomba faz o trabalho. A melhor indicação vem sempre dos furos vizinhos — sabemos a que profundidade encontraram água, até onde subiu e como se comportam ao longo do ano.
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Quanto custa um furo artesiano?
Perfurar um furo artesiano custa o mesmo que perfurar um furo convencional com a mesma profundidade no mesmo tipo de rocha: em Portugal, entre 20 e 60 € por metro no mercado nacional e entre 35 e 80 €/m no Algarve serrano, mais entubamento, bomba (se necessária) e licenciamento. A diferença está na exploração: uma bomba mais pequena, ou nenhuma, significa menos electricidade todos os anos. Ver o guia de preços com a tabela por profundidade →
Licenciamento
As regras são as de qualquer captação de água subterrânea: comunicação prévia à ARH Algarve para captações particulares com meios de extração até 5 cv, licença acima disso, execução por empresa licenciada para pesquisa e captação de águas subterrâneas, e relatório final do furo. Desde maio de 2026 a ARH Algarve voltou a aceitar pedidos para novos furos na maior parte da região, com duas zonas ainda restritas. Guia de licenciamento → · O que mudou em 2026 →
Perguntas frequentes
O que é um furo artesiano?
Um furo artesiano é um furo que capta água de um aquífero confinado — uma camada de rocha ou sedimento saturada de água, comprimida entre camadas impermeáveis. A pressão faz a água subir no furo acima do nível em que foi encontrada. Quando sobe até à superfície sem bomba, chama-se furo artesiano repuxante (ou jorrante). O nome vem da região de Artois, em França, onde estes furos foram documentados no século XII.
Qual é a diferença entre um furo e um poço?
Um furo é uma perfuração vertical de pequeno diâmetro (normalmente 110 a 250 mm) feita por máquina, entubada, que pode chegar a mais de 150 metros e capta aquíferos profundos. Um poço é uma escavação larga (1 a 3 metros de diâmetro) e pouco profunda, que capta água superficial; tem caudais mais instáveis e é mais vulnerável à seca e à contaminação.
Quanto custa fazer um furo artesiano?
O mesmo que um furo convencional com a mesma profundidade e no mesmo tipo de rocha: em Portugal, entre 20 e 60 € por metro no mercado nacional e entre 35 e 80 €/m no Algarve serrano, mais entubamento, bomba (se necessária) e licenciamento. Um furo artesiano não é mais caro de perfurar; pode ser mais barato de explorar, porque a água sobe por pressão e a bomba trabalha menos.
É possível fazer um furo artesiano no Algarve?
Só onde a geologia cria confinamento: zonas do litoral e do barrocal em que camadas argilosas ou margosas cobrem calcários e arenitos aquíferos. Na serra de Monchique e nos xistos da costa vicentina a água circula em fracturas e os furos são, em regra, convencionais, com bomba submersível. Só o estudo do local e o comportamento dos furos vizinhos permitem saber se há condições artesianas.
Que profundidade tem um furo artesiano?
De algumas dezenas a mais de 150 metros. A profundidade é determinada pela posição do aquífero confinado, não pelo tipo de furo. No barrocal algarvio há furos produtivos entre 60 e 100 metros; na serra é frequente ir mais fundo.
Um furo artesiano precisa de bomba?
Depende do nível piezométrico. Se a água sobe até à superfície (furo repuxante), não precisa de bomba, mas precisa de válvula e cabeça de furo para controlar o caudal — a lei exige dispositivos anti-desperdício em todas as captações. Se a água sobe mas fica abaixo do solo, é preciso uma bomba, embora mais pequena e com menor consumo do que num furo convencional.
Um furo artesiano precisa de licença?
Sim, as mesmas regras de qualquer captação de água subterrânea: comunicação prévia à ARH para captações particulares com meios de extração até 5 cv, licença acima disso, execução por empresa licenciada e relatório final do furo. Ver o guia de licenciamento.
Fontes
- Wikipédia, "Poço artesiano" — definição de aquífero confinado e origem do termo (Artois). pt.wikipedia.org
- Decreto-Lei n.º 226-A/2007, de 31 de maio — regime da utilização dos recursos hídricos (dispositivos anti-desperdício, comunicação prévia até 5 cv, relatório final). pgdlisboa.pt
- Agência Portuguesa do Ambiente — atividade de pesquisa e de captação de águas subterrâneas (Decreto-Lei n.º 133/2005). apambiente.pt
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